A sensação de “cabeça cansada” após um longo trabalho mental é familiar a quase toda a gente. Há muito tempo que os cientistas discutem se a fadiga mental é uma consequência do esgotamento dos recursos energéticos do cérebro ou um efeito psicológico da perda de motivação. Um novo estudo realizado por psicólogos americanos provou que é a psicologia que desempenha o papel decisivo e que um objetivo bem definido ajuda a reduzir a fadiga. Este facto é relatado pelo portal The Conversation.
A equipa de cientistas analisou trabalhos clássicos e modernos sobre a fadiga mental. Na Segunda Guerra Mundial, o psicólogo Norman McWhorter observou que os soldados que seguiam os radares perdiam a concentração ao fim de 20-30 minutos. Este fenómeno foi reconhecido como uma capacidade humana fundamentalmente limitada.
No entanto, como salientam os autores do novo estudo, nem todo o trabalho mental é igualmente cansativo.
“Claramente, há situações em que as pessoas podem envolver-se em actividades intelectuais complexas durante longos períodos de tempo e não sentir exaustão”, explicam os investigadores.
Para testar o papel dos objectivos, os investigadores realizaram uma série de experiências com estudantes da Universidade de Oregon. Os participantes realizaram uma única tarefa de velocidade de reação e atenção durante 26 minutos. A metade deles foi dado um objetivo específico – reagir mais rapidamente do que o tempo determinado, enquanto a outra metade trabalhou sem um objetivo.
Na primeira experiência, o objetivo ajudou a reduzir o número de reacções lentas, mas não teve qualquer efeito sobre a sensação subjectiva de fadiga. Depois, os investigadores tornaram a tarefa mais difícil: na segunda e terceira experiências, o objetivo tornou-se gradualmente mais difícil – eram necessárias reacções cada vez mais rápidas.
O efeito foi inesperadamente forte. Os participantes com o objetivo “mais difícil” reagiram, em média, 10% mais depressa, referiram menos distracções e, o que é mais importante, não mostraram sinais de fadiga mental, mesmo no final da tarefa.
“Quando as pessoas se esforçam por atingir um objetivo específico e desafiante, sentem-se mais motivadas e menos exaustas mentalmente”, observam os autores do estudo. Ao mesmo tempo, a tarefa tornou-se objetivamente mais difícil, e não mais fácil.
Segundo os cientistas, isto confirma: a fadiga mental está em grande parte relacionada não com uma falta de energia no cérebro, mas com a medida em que o trabalho é percepcionado como significativo e gratificante.
A conclusão prática é simples: para se manter concentrado durante mais tempo, vale a pena estabelecer objectivos claros, mensuráveis e progressivamente mais difíceis, e registar a sua realização. E se o cansaço se instalar, fazer pequenas pausas pode ajudar – mesmo uma pausa de menos de dois minutos pode restaurar a sua capacidade de trabalhar mentalmente.

